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História de superação faz jovem dar volta por cima no esporte brasileiro. "Para se realizar na vida, basta querer”, diz jogador.




Aos 18 anos, Renato Oliveira Leite queria ser jogador de futebol. Treinava na várzea paulista e fazia inúmeros testes, num ambiente extremamente competitivo. Começou a trabalhar cedo, como empacotador de um supermercado. Preparava-se para mais um teste promissor quando resolveu comprar uma moto e entregar quentinhas. Numa conversão, ele e um carro desviaram para o mesmo lado o que levou o atleta a fratura exposta na perna, na qual atingira uma artéria que comprometeria sua vida.

Hoje, não desistindo de seus sonhos,  com 33 anos, Renato é Tricampeão Pan-americano e foi eleito o melhor Libero do mundo. Em sua jornada esportiva já conheceu mais de 25 países e emplacou marcas vitoriosas. Capitão da seleção brasileira de vôlei sentado - medalha de ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto no Canada-, já tem destino certo em 2016: as Paraolimpíadas do Rio de Janeiro.

Quando amputado, o jovem contou com o conforto dos pais e da namorada – hoje esposa – para seguir em frente. Após cerca de sete meses, colocou uma prótese abaixo do joelho e adaptou-se totalmente. Com preparo físico de quem sempre se destacou nos esportes, reabilitou-se com sucesso e reconquistou a independência.

O caminho não foi fácil. Até conseguir tratar-se pelo SUS, no Lar Escola São Francisc. Frequentou uma clínica particular, o que, entre outros gastos, impactou a família do ponto de vista financeiro. Do DPVAT, recebeu R$ 4.800, quantia que considera irrisória se comparada ao que gastou.

Colocado como destino o atleta não guarda mágoas do que aconteceu e mantém seus sonhos como jogador. “Minha família me deu muita força e consegui me alavancar no esporte paraolímpico. Não fiquei em casa chorando, me lamentando. Poderia ter ficado deprimido, mas optei por outro caminho. Para se realizar na vida, basta querer”, diz jogador.

A realização de Renato é jogar pela seleção, representando o país no exterior. Ele conheceu o vôlei sentado em 2003, logo que o esporte chegou ao país. Em 2007, já era capitão da equipe que venceu o Parapan no Brasil. Mas o esporte somente não garante seu sustento financeiro. Por isso, faz dupla jornada, trabalhando em um banco. “Hoje sou motivo de orgulho para muita gente. Faço trabalho social em hospitais, visito jovens acidentados e tento trazê-los para o esporte, que é uma grande ferramenta de inclusão social”, conta.

 

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