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É preciso estar preparado para a longevidade

- por Cristiane Peixoto




É muito comum medirmos as coisas e as pessoas com a régua dos outros. Nesse sentido, frases como “minha mãe não fazia nenhum exercício, comia o que queria, e morreu lúcida aos 90 anos”, ou “agora não tenho tempo para fazer atividade física” fazem cada vez mais parte do vocabulário coletivo. Sim, afinal, hoje em dia, a tecnologia, a internet, os aplicativos furtivos e as inúmeras tarefas de toda mãe e pai que se atrevem a trabalhar ou todo profissional que se aventura a ser pai ou mãe criaram um cenário no qual rotinas de exercícios físicos não mais se encaixam.

Mas, como era o estilo de vida dessa senhora que morreu lúcida aos 90 anos? Sem dúvida, tinha uma rotina muito mais ativa, sem tantos botões, tanta facilidade para deslocar-se sobre rodas, usar escadas rolantes, sem tanta coisa para fazer no computador ou com o pescoço torto a espiar um celular.

A alimentação dessa senhora de 90 anos era muito melhor e o nível de estresse, bem inferior. Ela podia ser mãe ou profissional, dificilmente tinha que conciliar as duas tarefas. Com todo esse cenário, será mesmo que podemos esperar que a “genética” preveja o que podemos esperar do futuro em termos de saúde e qualidade de vida?

Passamos uma vida inteira usando a ‘máquina’, sem oferecer-lhe o cuidado necessário para que tudo permaneça em bom estado. Com o passar do tempo, o corpo começa a dar sinais de que não está digerindo bem o nosso mau uso, até que surgem as doenças, lesões e a perda da funcionalidade.

O balanço de uma vida não é favorável a um bom saldo: muito sofá, pouca água, muito carboidrato refinado, poucas verduras, muito açúcar, pouca proteína, muito eletrônico, pouca interação social, muito cansaço, pouca aventura...e quem leva a culpa é a idade!

Evidências científicas têm associado cada vez mais as perdas funcionais ao estilo de vida. Então, não seria mais justo dizer que você está assim por causa da negligência? Já parou para se perguntar como seria se, em vez de usurpar seus recursos sem piedade, você tivesse cuidado, diariamente, da sua máquina?

*Cristiane Peixoto é mestre em Educação Física no Envelhecimento pela USP, criadora do Método Águia – desenvolvendo idosos saudáveis, e membro do WTTC Masterminds Team.