Profissional

Data de nascimento: 27/04/1989

Altura: 170cm

Peso: 65.0kg

Local de nascimento: Eunapolis - BA

Residência atual: Rua Carlos Conceicao, n 21, casa 2E

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Histórico

Meu nome é Luan Guimarães Veloso e tenho 28 anos.

Quero compartilhar minha história com vocês, mas vou avisando que ela é um pouco chocante. Como minha intenção é que vocês continuem lendo, vamos começar logo pela parte trágica.

Eu vivia uma fase conturbada da minha vida. Tinha 24 anos e acabava de sair de um relacionamento de 6 anos com a mãe de minha filha. É, eu sou pai. Uma garotinha linda de 4 anos chamada Lua. Hoje agradeço a Deus por ela, mas confesso que nessa época o peso era bem grande para mim. Quando digo peso, falo da responsabilidade de ser pai jovem e solteiro.

Eu estava meio sem rumo, mas sabia que se focasse na minha profissão tudo sairia bem. Tem algo disciplinador no trabalho, e eu busquei refúgio nele. Afinal, não era qualquer trabalho: eu era piloto de avião. Sério. Formei como piloto aos 20 anos, e em 2014 já tinha certa bagagem. Era contratado de uma empresa em Porto Seguro/BA, onde morava na época que minha namorada engravidou, e lá acumulei 600 horas de voo, fora as 200 horas que eu já tinha antes de ser contratado.

Quando Lua nasceu eu decidi voltar para casa, onde minha ex ainda residia, em Lauro de Freitas/BA, para assumir a responsabilidade de ser pai. Foi então que as coisas começaram a complicar, já que a empresa que eu trabalhava só operava em Porto Seguro, e tive que pedir demissão.

Infelizmente, ao me mudar, não consegui outra vaga para pilotar e, enfrentando um período de “vacas magras”, passei a trabalhar como vendedor da Lacoste em um shopping. Mesmo assim, não havia desistido da aviação. Procurei um velho amigo da faculdade que estava comandando uma aeronave em Salvador e expliquei minha situação. Por sempre ter tido uma boa relação com todos, inclusive com ele, acabei recebendo a maior oportunidade da minha vida, que foi enfim me formar como piloto comercial na aeronave que ele voava.

Mas nem tudo são flores na vida, né? Quando você pensa que tudo está se resolvendo, Deus vem e intervém para te colocar no caminho certo. Como assim? Bom, a verdade é que eu não merecia os presentes que a vida estava me dando.

Eu era arrogante, prepotente, grosso e achava que era imune a tudo. Vaidoso ao extremo, trabalhava meu físico dia e noite. Fazia academia de domingo a domingo, sem faltar um dia sequer. Jogava bola 3 vezes na semana e ainda fazia AEJ quando acordava disposto. Pior, ainda gastava todo meu dinheiro em suplementos. É, eu acabei me perdendo do meu caminho. Foi então que veio uma intervenção divina, além do que posso explicar ou controlar.

No dia 21 de agosto, às 22h, sofri um atentado contra minha vida. Na real? Foi uma covardia. Eu havia parado meu carro rapidamente próximo a um ponto de ônibus para deixar um colega. Quando olhei no retrovisor, ainda parado dentro do carro, vi 2 homens armados se aproximando de mim. Estava muito nervoso e morrendo de medo. Meu corpo tremia todo e eu mal conseguia pisar na embreagem. É uma sensação de impotência total que vai sempre te levar ao erro. No desespero, tentei acelerar para fugir. Quando arrastei o carro, não percebi que ele estava colado ao meio fio, e por isso não conseguir sair do lugar. O primeiro assaltante, já com a arma em punho, abriu a porta e disparou 5 vezes contra mim.

BOOM! BOOM! BOOM! BOOM! BOOM!

Desespero é a única palavra que resume meu sentimento naquele momento. Inexplicavelmente, ao mesmo tempo, eu sabia dentro de mim que ficaria vivo. Mesmo em momento de dor e angústia eu pedia a Deus que me poupasse, que eu iria mudar e seguiria minha vida da forma que ele preparou para mim.

Sim, ele me ouviu. Eu sobrevivi.

Nesse momento, substituí todo o desespero por gratidão. No entanto, apesar do “milagre”, um dos 5 tiros atingiu minha coluna, no nível T12, e por isso perdi os movimentos da cintura para baixo. Foi um susto absurdo. Demorou muito para cair a ficha, para eu entender que minha vida havia mudado. Não é fácil ser protagonista de situações extremas que a gente só vê em filme, se é que posso colocar assim. Foi difícil no começo, mas então comecei a perceber algo recorrente: durante as internações, cirurgias e fisioterapias intensivas que surgiram durante e depois (e que duram até hoje), um mesmo nome não parava de ser mencionado: Fernando Fernandes.

“Mas por que toda hora esse cara?”, eu me perguntava. Claro, eu sabia quem ele era, mas por que minha família e as pessoas ao meu redor usavam ele como símbolo de recuperação e superação? Simplesmente porque ele teve a mesma lesão que a minha, no mesmo nível, e todos sabiam que, dentro de mim, havia um Fernando Fernandes que também superaria a lesão.

Em fevereiro desse ano, 2016, dei inicio a uma caminhada que, antes de tudo, devo agradecer a todos que acreditaram em mim, principalmente toda a minha família, toda mesmo, incluindo os irmãos que nasceram em forma de
AMIGOS, por terem ficado do meu lado, me apoiando, incentivando e aguentando minhas lamentações em momentos de fraqueza. Em especial minha filha maravilhosa, razão da luz que brilha dentro de mim até nos momentos mais sombrios. Eles que fizeram de mim o guerreiro vencedor que hoje me olha de volta no espelho.

Eu comecei a pesquisar sobre Fernando, além de assistir a todos os seus vídeos no Youtube. A cada imagem de conquista dele crescia em mim uma força inexplicável. Depois disso, decidi ir além e o adicionei no Instagram, onde curtia e comentava todas as suas fotos. Tomei coragem e resolvi contar a ele minha história, aproveitando para pedir dicas e conselhos para que eu pudesse ter uma vida tranquila e saudável como a dele.

Tá acompanhando? Então para tudo, que essa parte até hoje nem eu mesmo acredito: ele me respondeu! E não só isso, ele estava com viagem marcada para vir a Salvador, e me convidou para remar com ele. Incrível. Não consigo escrever o que eu senti naquele momento. Foi algo grandioso, inspirador, uma certeza de ali se abria uma janela de oportunidade na minha vida.

No exato instante em que terminei a conversa com ele, liguei para todos da minha família. Era uma honra, mal consegui dormir até o dia do encontro. Nesse dia, acordei cedinho e cheio de vontade de remar, mas algo parecia errado. O tempo não estava bom e Fernando já chegou falando disso assim que nos encontramos. Pensei comigo mesmo “é, agora já foi”. Pelo menos estava conhecendo ele pessoalmente, e isso já era muito perfeito para minha caminhada que ali começava. Tirei varias fotos, peguei autografo, prestava bastante atenção em tudo que ele me falava, mas ao mesmo tempo só pensava em remar. Foi quando ele falou “vamos para o mar”, se ajeitou e entrou na água. Simples assim.

Nesse dia só tinha um barco adaptado no local, então seria uma vez de cada. Bom, não seria dessa vez que remaria com ele, mas bastava remar. Eu mal conseguia conter a empolgação. Ele saiu do mar falando para mim “Cara, vai entrar? Você vai virar rápido, o mar está muito mexido, revolto, não quer deixar para a próxima não?”. Ele não me conhecia, então não posso culpa-lo. Apenas dei uma risadinha e respondi “Vou entrar. Eu sei nadar, não se preocupe, mas não vou perder essa oportunidade por nada”. Então me colocaram no barco e pronto: foi amor à primeira vista. Ou melhor, amor à primeira remada.

Vou confessar uma coisa: tentei basquete, tentei tênis de mesa... Eles não chegam nem perto da satisfação que tive ao entrar na água. Quando segurei na mão o remo que fria parte da minha vida dali em diante. Sem contar que, diferente das palavras dele, eu não virei. Quer dizer, virei, vai, mas não da forma que ele falou, de maneira preocupante. Lembro cada sensação. Primeiro entrei sem remo, e o mar parecia um touro brabo. Balançava paro um lado e para o outro, agressivo, querendo a qualquer custo me assustar. Mas o mar não contava com a fisioterapia da UNIME, que faço com o professor Vitor (O melhor na minha reabilitação). Ali sim, é bem pior que aquele balanço. Valeu, Victor, a palavra gratidão define o que sinto por ti meu amigo! Foi então que me concentrei, respirei e me equilibrei no caiaque. Foi nessa hora que percebi que estava fácil demais para ser verdade. Era incrível, eu sabia que pertencia àquele momento. Foi então que pedi o remo. E remei.

Pouco tempo depois comprei meu primeiro caiaque e dei inicio a minha carreira no esporte. Aposentado pelo estado em decorrência da deficiência, enxerguei a oportunidade de investir minhas economias com treinador, materiais, transporte e massagens terapêuticas, como se as peças desse confuso quebra-cabeça chamado vida começassem a se encaixar.

Uma dessas peças é uma pessoa maravilhosa que Deus colocou na minha vida: Erica Pallos. Ela me conheceu na fisioterapia da UNIME e me convidou para receber uma massagem esportiva, que iria me ajudar nos ganhos e me deixaria renovado para começar de novo cada circuito de remada. Ela comentou sobre mim na Single Academia, onde ela dava suas massagens e, consequentemente, onde era a minha sessão com ela. Nesse dia, quando eu estava indo embora da Single, algo maravilhoso aconteceu (outra peça do quebra-cabeça que e a vida). Os donos me propuseram um patrocínio, que aceitei com imensa gratidão. Desse dia em diante, tenho total foco para fazer acontecer. Se faltava talvez um último estímulo extra, foi esse.

Recentemente tive a oportunidade de ir ao Rio de Janeiro assistir as Paraolimpíadas e, claro, a Canoagem de Velocidade. Nessa Fernando Fernandes estava de fora, mas haviam outros paratletas tão dedicados quanto ele. Histórias tão impressionantes quanto a minha ou, às vezes, até mais chocantes. Mas estávamos todos ali. Esses atletas, ao darem o máximo de si, independente da colocação, já são vencedores.

Ainda no Rio, conheci o técnico da seleção brasileira de paracanoagem, Tiago Pupo, mas infelizmente não chegamos a conversar muito. No entanto, quando voltei de viagem, consegui seu contato através de uma conversa via Whatsapp com um paratleta de remo daqui de Salvador, Rene. Conversando com Tiago após contar brevemente minha situação atual no esporte, ele me convidou para um estágio de uma semana no CT da seleção brasileira em São Paulo. Isso mesmo, seleção brasileira. E essa oportunidade, que surgiu com menos de um ano desde que comecei essa minha nova jornada, eu não vou deixar escapar tão fácil. Vou abraçar de todo coração e com toda a vontade e determinação do mundo.

Agora estou em busca de patrocínio, porque aqui na Bahia o esporte não é divulgado ! Sou o único paratleta da capital e região metropolitana na modalidade paracanoagem....

Com o patrocínio além das empresas estarem contribuindo com minha carreira profissional e projetos sociais com deficientes, eles estarão deduzindo do seu imposto de renda essa contribuição !

Em minha trajetória eu já fui muitas coisas. Fui estudante, personal trainer, vendedor, empreendedor, acionista da bolsa e até piloto de avião. Hoje, me encontrei no esporte e, como paratleta, sou um guerreiro e um exemplo. Aprendi que é na dificuldade que descobrimos a força que temos dentro da gente. É assim que é. Todos podemos ser o melhor de nós mesmos, basta querermos.

Eu continuo minha luta pela melhor versão de mim, sempre. Meu desafio é acordar, todos os dias, sendo um atleta capaz de superar o que dormiu na noite anterior. Talvez seja a vida me dizendo que, se hoje está bom...

... É porque amanhã vai estar ainda melhor.

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Forte abraço e fiquem com Deus,

Luan Veloso
@luan.sobrerodas - instagram


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